Bons conselhos de Neemias

Abençoado com felicidade é o homem que não segue o conselho dos ímpios, não se deixa influenciar pela conduta dos pecadores, nem se assenta na reunião dos zombadores.
Ao contrário: sua plena satisfação está na lei do SENHOR, e na sua lei medita, dia e noite! (Sl 1.1-2)

A Bíblia nos instrui a meditar na Lei do Senhor – meditar é pensar nas promessas de Deus; se eu penso em coisas ruins ou más, isso nos leva a um caminho de morte. Devemos, como crentes, pensar apenas nas coisas de cima. Nosso pensamentos definem quem somos, e se nossa mente é atingida pelos dardos inflamados do maligno, não conseguiremos guardar nosso coração, manter o foco e completar a obra de Deus na nossa vida. Quando Neemias enfrentou a oposição ao reconstruir os muros de Jerusalém, foi alvo de ataques na mente por meio de cinco caminhos, os quais também acontecem conosco:

1º caminho de ataque: auto imagem negativa. Os inimigos procuraram atacar a identidade de Neemias, fazendo com que se achasse incapaz de fazer o que Deus tinha mandado. Quando somos alvo de ataques assim, pensamos ser impossível mudar, nos sentimos desprezados e não merecedores das bênçãos de Deus.

2º caminho de ataque: relacionamentos negativos: é quando convivemos com pessimistas, pessoas que procuram nos deixar para baixo com palavras de desencorajamento. É quando somos orientados pelo que os outros pensam de nós.

3º caminho de ataque: pelo tipo de ambiente que enfrentamos: Neemias enfrentou todo tipo de situação contrária, mas nenhuma delas o desanimou. No entanto, muitos se deixar paralisar por coisas assim.

4º caminho de ataque: espiritualidade negativa: Neemias enfrentou toda uma nação longe dos caminhos do Senhor. Ele mesmo superou toda oposição espiritual, crendo apenas no que Deus havia falado. Os que sofrem com uma mentalidade negativa aqui não creem que Deus ouve suas orações, não conseguem perseverar na sua fé.

5º caminho de ataque: as coisas do dia a dia. Neemias também teve que lidar com as pequenas questões entre o povo, e nada disso o tirou da missão. Se nos deixamos abater pelos dias maus e suas pedras de tropeço, nunca conseguiremos completar nossa missão.

Como ele pôde superar cada uma delas? Tomando uma firme posição em três sentidos:

[1] Se afastou de pessoas negativas, não trazendo elas para seu círculo íntimo; 

[2] não ficou alimentando pensamentos negativos, mas meditou sempre na promessa de Deus;

[3] ele substituiu cada pensamento negativo pela Palavra de Deus.

Que possamos, como Neemias, cuidar de nossa mente e permanecer com os pensamentos de Cristo.

Pr. Daniel

Um cristão inconstante?

Seja, porém, o teu sim, sim! E o teu não, não! O que passar disso vem do Maligno. (Mt 5.37)

A falta de firmeza em nossas crenças, nas promessas do Senhor e em Sua Palavra nos leva para longe de viver o poder de Deus.

Jesus aqui não está dizendo que todas as nossas respostas devem ser sim ou não, mas que a postura nossa deve ser firme em dizer sim para a Verdade de Deus, as coisas do Reino e Seus valores. E Não para o pecado, a sedução do mundo e o engano dos prazeres passageiros. A falta de firmeza nos torna inconstantes e impede que nossas orações sejam atendidas, não recebendo então coisa alguma do Senhor:

“Todavia, peça-a com fé, sem qualquer sombra de dúvida, pois quem crê com reservas é semelhante à onda do mar, agitada e levada pelos ventos. Não imagine tal pessoa que assim receberá coisa alguma do Senhor, pois é vacilante e inconstante em todos os seus caminhos.” (Tg 1.6-8)

Vale meditar o quanto de “talvez, quem sabe” temos em nossa fé, e o quanto disso nos torna fracos.

Em Cristo, Pr Daniel

Não julgue!

É interessante ver como Jesus trata do julgamento dentro da lei da semeadura – do mesmo modo que julgamos os outros, seremos julgados também.

Sua crítica ao julgamento não é tanto pela trave que temos no nosso olhos (pois estamos em obras, e o Espírito Santo opera a obra da santificação na vida do crente), mas pelo julgamento hipócrita ao apontar o cisco no olho do outro. Jesus nos proíbe de julgar os outros, e nós erramos ao julgar pelas seguintes razões também:

[a] porque não podemos conhecer as intenções dos outros: Só Jesus consegue conhecer o mais profundo de nosso coração, e o que Ele faz? Intercede. Nosso erro em relação às intenções é simples, porém profundo: presumimos que sabemos as intenções dos outros quando, na verdade, não sabemos. Pior ainda, quando não temos certeza das intenções de alguém, na maior parte das vezes, concluímos que são as piores.

[b] porque atuamos no sistema de “culpado-inocente”: como Adão e Eva que culparam outro pela queda, nós quando julgamos nos colocamos como vítimas, e se somos vítimas há sempre um culpado. E o que esperamos quando julgamos alguém culpado? Que seja punido. Julgar é fechar as portas ao perdão. O correto é ver que tipo de contribuição temos quando determinada pessoa faz algo que não gostamos. Se mesmo assim não tivermos participação, nosso papel é orar, interceder e não julgar.

[c] porque julgar é acusar, e o diabo não precisa de nossa ajuda: Lugar de crente não é na acusação – mas como Cristo, na intercessão. Interceder não é apenas orar pela pessoa, mas ajudar no que for possível! Se você não pode ajudar, então ore, cubra, elimine os acusadores quando vierem falar com você. Nós já falamos sobre isso na semana passada: quem julga estabelece uma sentença, um rótulo. E desde que em Cristo somos feitos novas criaturas, e estamos em obras, devemos ter um olhar de amor e esperança sobre as pessoas, não fixando no que são, mas no que podem se tornar em Jesus.

[d] porque julgar é suspeitar o mal: O que é suspeitar o mal? É quando nós pegamos uma situação, por apenas um ponto de vista (ou o nosso ou o que os outros falaram) e criamos toda uma história, imaginando e tendo esta imaginação como verdade sobre o motivo que levou tal pessoa a fazer tal coisa. Via de regra, quando é a gente suspeitamos o bem. Quando é alguém próximo, suspeitamos o bem. Quando é alguém mais de longe, suspeitamos o mal.

Por isso, ao invés de julgar busque saber. Tente entender o que leva alguém a tomar atitudes negativas aos teus olhos.

Em Cristo, Pr Daniel

Nem sempre vai melhorar – estamos preparados?

Porque tenho para mim, que Deus a nós, apóstolos, nos pôs por últimos, como condenados à morte; pois somos feitos espetáculo ao mundo, tanto a anjos como a homens. […] Até a presente hora padecemos fome, e sede; estamos nus, e recebemos bofetadas, e não temos pousada certa, 12 e nos afadigamos, trabalhando com nossas próprias mãos; somos injuriados, e bendizemos; somos perseguidos, e o suportamos; 13 somos difamados, e exortamos; até o presente somos considerados como o refugo do mundo, e como a escória de tudo. (1 Co 4.9;11-13)

De tempos em tempos, somos confrontados pelo Senhor, através das crises e lutas que passamos, a rever a qualidade de nossa fé. Ao contrário do que muitos podem pensar, ser cristão não é um passeio pela vida, um passatempo. Pelo contrário, é enfrentar a maior luta, todos os dias, que um ser humano pode enfrentar – negar a si mesmo.

De fato, as palavras de Jesus sobre isso, quando Ele diz “tomar a sua cruz” não me parece um convite para um passeio num parque de diversões.

Dentre os cristãos, existem aqueles eleitos por Deus para ocupar uma posição de liderança, de destaque – são os líderes (pastores, bispos, presbíteros). Ao contrário do que acontece no mundo secular, essa não é uma posição de honrarias, mas de serviço. Não se trata de uma linha de chegada, de desfrutar, mas de entrega e profunda renúncia.

É dar a cara a tapa, ser rejeitado, incompreendido, caluniado, julgado, e outras coisas tão desagradáveis como esta.

Paulo usa uma linguagem dura para descrever o caminho do líder cristão: espetáculo ao mundo natural e sobrenatural, fome, nudez, abandono, rejeição, ofensas, tratados como lixo.

Certamente você não encontrará este tipo de lista sendo oferecida aos candidatos à vaga em qualquer emprego “normal”. No entanto, as Escrituras não são de origem humana, mas divina, e por isso mesmo, coloca a situação tal como ela é.

Portanto, o caminho do líder é um caminho de paradoxos. Cercado por gente e muitas vezes solitário; encorajando e não recebendo apoio muitas vezes; apontando um caminho de fé e sendo testado vez após vez; consultado por muitos, abandonado por muitos mais.

Entregando sua vida aqui, agora, hoje – e recebendo, na eternidade, o Reino.

Se, em algum momento, restar qualquer anseio pelas coisas deste mundo, tenha certeza de que o próprio Deus irá retirar isso de seu coração.

Pois Seus tesouros são infinitamente superiores do que qualquer coisa que este mundo, esta vida podem oferecer.

Como diz Paulo, ” O viver para mim é Cristo, e o morrer é lucro”.

Amém!

Em Cristo, Pr. Daniel

Calma aí!

Que os homens nos considerem, pois, como ministros de Cristo, e despenseiros dos mistérios de Deus. 2 Ora, além disso, o que se requer nos despenseiros é que cada um seja encontrado fiel. 3 Todavia, a mim mui pouco se me dá de ser julgado por vós, ou por qualquer tribunal humano; nem eu tampouco a mim mesmo me julgo. 4 Porque, embora em nada me sinta culpado, nem por isso sou justificado; pois quem me julga é o Senhor. 5 Portanto nada julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor, o qual não só trará à luz as coisas ocultas das trevas, mas também manifestará os desígnios dos corações; e então cada um receberá de Deus o seu louvor. (1 Co 4.1-5)

É bastante interessante ver o modo como Paulo lida com os sempre presente focos de murmuração. Vale lembrar que, mesmo tendo implantado a maior parte das igrejas entre os gentios, nunca lhe faltaram opositores. Estes julgavam Paulo por qualquer coisa que não concordassem: jeito de pregar, aparência, como judaizante ou impostor contra a Lei, falso apóstolo, etc.

A lista não era nada pequena.

E aqui neste trecho da carta à igreja de Corinto, ele faz algumas afirmações desconcertantes. Ele diz que no verso 2 o requisito de ser um despenseiro de Deus é a fidelidade ao Senhor. Como este requisito é bastante subjetivo, ou seja, o fato de eu me considerar fiel não significa que de fato eu o seja, ele continua sua argumentação dizendo algo tremendo (v.3): “O julgamento, ou o que pensavam os opositores em Corinto não fazia a menor diferença – era absolutamente descartável e insignificante”.

Quem poderia, então, julgá-lo? O Senhor.

E ele conclui, no verso 5, a grande razão dos mal-entendidos entre as pessoas: a precipitação em julgar, em tecer uma conclusão. Ele ensina que ninguém deve concluir algo antes do tempo (conhecendo todos os fatos, se colocando no lugar do outro, etc) e, principalmente, julgar com base em uma opinião meramente pessoal. De fato, o crente verdadeiro deve sempre estar atento ao movimento do Senhor, pedir sabedoria e reconhecer, com humildade, que não sabe todas as coisas – e talvez nunca saberá. Deus mesmo irá mover as pessoas, seja colocando ou tirando elas. Qualquer pretensão nossa, em imaginar que conhecemos a mente de Deus, não passa de mera tolice.

Só os tolos não se colocam no seu lugar.

Em Cristo, Pr. Daniel

Decepcionados com Deus?

Mas não somente isso, como também nos gloriamos nas tribulações, porque aprendemos que a tribulação produz perseverança; a perseverança produz um caráter aprovado; e o caráter aprovado produz confiança. E a confiança não nos decepciona, porque Deus derramou seu amor em nossos corações, por meio do Espírito Santo que Ele mesmo nos outorgou. (Rm 5.3-5)

É interessante pensar que todos nós passamos pelos momentos de “aperto”, de consternação. Por vezes somos surpreendidos por coisas que têm o poder de nos paralisar, situações onde o medo quer invadir nosso coração e nos fazer jogar tudo para o alto. No entanto, Paulo faz aqui uma afirmação libertadora: a tribulação não é um fim na vida do crente, mas um meio pelo qual Deus produz perseverança. Não nascemos perseverantes; na realidade, somos mais propensos a desistir quando as coisas não são do jeito que queremos. Mas não há outro meio tão poderoso em produzir perseverança na nossa vida senão a tribulação.

É uma afirmação dura, mas necessário de se aceitar.

Quando a perseverança aparece, traz consigo outro efeito maravilhoso: caráter.

Aqui nossa atitude já não é mais influenciada pelas circunstâncias. Aqui agimos certo simplesmente porque é certo, pois isso agrada a Deus. Sem que percebamos, um outro fruto aparece: esperança. Começamos a experimentar, mesmo sem entender, a ação de um plano maior de Deus agindo em nós. Esse conceito é fundamental para nossa fé, pois nos impede de pensarmos que, de algum modo, Deus nos decepcionou. Os planos de Deus são perfeitos, ainda que venhamos a entender plenamente isso na eternidade. Até lá, somos chamados a nos aproximar dEle e, pela fé, confiar nossa vida a Seus cuidados. Se, de algum modo, nos sentimos enganados por Deus em alguma situação, em que esperávamos uma outra coisa, é por que este processo ainda não aconteceu em nós.

E sabe onde tudo começa?

Nas tribulações.

Em Cristo, Pr. Daniel